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2001- UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO... E NO TEMPO. por Lobo Mineiro

Assistir a 2001 é reconhecer o cinema como parte da vida. O apuro técnico do filme é apenas a cobertura que um doceiro faria em um bolo delicioso. Stanley Kubrick sempre foi um cineasta cuidadoso e que fazia lentamente seus filmes. 2001 é a alma de seu criador, lento e cauteloso como a vida. Por isso penso em algo que tantos falam. Quando um filme fica velho e quando é atemporal?

O próprio título de 2001 remete ao passado e suas profecias em parte se cumpriram, mas muito ficou para trás e continua como ficção. No entanto o filme ainda é digno e nos faz esquecer que estamos 4 anos adiante do seu fictício tempo.

O tempo, este nosso companheiro e inimigo. Quando somos jovens e eternos ele não nos preocupa, queremos que ele seja rápido para abusarmos de suas armadilhas. Com a idade sonhamos que ele vá mais devagar ou que surja uma máquina capaz de faze-lo voltar.                     

A linguagem do cinema cria seu próprio tempo, muitas vezes fugindo da rotina de uma realidade que consome segundos em algo que já sabemos. Antes de abrirmos uma porta, já vemos isto e este acontecimento futuro é quase passado. No cinema não existe sempre razão para isto. A porta pode nem ser vista, ou apenas um corte para o exterior do local é o bastante... E segundos foram esquecidos. Não, apenas guardados.

Mas para que falar disto? E o filme? Bem, em 2001 Kubrick busca a realidade além do apuro técnico. Muitos vêem o filme com um olhar de cansaço, pois é lento, mostrando bem a rotina dos astronautas e pessoas em várias cenas. Mas o tempo que cito é o nosso. 2001 não passou. Ele está adiante de nós. É atemporal por sua proposta, por seus devaneios, seu roteiro, sua visão de futuro.

 

2001 baseado em um conto de Arthur C. Clarke, um dos grandes escritores de ficção científica. O conto mostra astronautas que encontram uma pirâmide na Lua provando a existência de vida inteligente além da Terra. Não vai além disto. Não invade a seara da religião e o comprometimento do ser humano diante deste fato em nada além de alguns parágrafos. Posteriormente Clarke fez o romance que foi publicado na revista PLAYBOY com as idéias que ele e Kubrick desenvolveram para o filme.    

No filme temos a fantástica cena inicial que sempre será eternizada na mente de qualquer um. O homem-primata descobre a arma e seu poder na forma de um osso e o lança para o alto transformando-se por “mágica” em uma nave. Mais que uma arma, a descoberta do primata era a inteligência e o caminho pormenorizado em cada fotograma.

O filme caminha para a descoberta de um monólito na superfície lunar, uma viagem para Júpiter em busca de respostas, um desafio na forma de um computador que desafia a humanidade das pessoas na imensa nave, e o fim que sempre terá inúmeras versões para quem o vê seja na primeira ou na última vez.

Tudo neste argumento é parte do propósito de criar a apoteose em momentos dignos de Salvador Dali.

Na filmagem temos o silêncio como companheiro em cada incursão ao espaço. Este silêncio é preenchido pela música (o uso fantástico de peças eruditas como Danúbio Azul) ou pela respiração dos atores. Estes momentos mostram a beleza do cinema. Certa vez Robert Bresson disse que o “cinema criou o silêncio”. Ele estava certo. Quando realmente em nossa vida conhecemos o silêncio aboluto? Provavelmente temos esta chance vendo um filme. Talvez também se um dia formos viajantes espaciais. Este silêncio exposto no filme é apenas o trabalho de Kubrick e Clarke dando o Maximo de realidade e credibilidade para a obra, mas é também a lentidão que permeia cada cena. Nada de marcianos, batalhas memoráveis. Espantam-se muitos, traz adeptos para o fim.     

Depois do encontro do monólito temos a odisséia propriamente dita. A busca pelo conhecimento é agora o “osso” que o homem carrega. Mas kubrick cria um desafio na forma de HAL9000, um computador que tem a arrogância de querer controlar os humanos e a missão. Certo ou errado, este tema centraliza muito do filme. Torna-se um desvio do argumento básico. Muitos sabem que Hal nasceu do patrocínio da IBM. Seria uma rendição de Kubrick diante das verbas de produção? Por outro lado, temos muito poucos personagens humanos, e nenhum deles mostra sentimentos ou profundidade. HAL termina por ser aquele mais trabalhado pelo roteiro. Apenas não sabemos bem seu verdadeiro propósito. Acabamos por ter o complexo de Frankenstein embalado no filme. Talvez o unico momento em que percebemos o tempo no filme. Até mesmoa concepção de Hal parece perdida contemporaneamente. De qualquer forma  o confronto termina e temos a descoberta. Mas afinal o que acontece? Para cada um existe uma resposta. Apenas uma coisa fica clara. Acharam alguém que irá chegar. Evitando a clareza e conflitos Kubrick enche a tela de imagens simbólicas.

Fica a impressão de negativismo da parte de Kubrick. Algo como dizer que o homem nunca fez nada sozinho. Que aceitar qualquer coisa como verdade seria deixar de buscar o conhecimento.

Tudo isto, estas questões tornam o filme essencial. Envelhecer bem é algo raro entre tudo que conhecemos, e saber de um filme com este atrativo mostra como somos felizes.         

E o tempo? Em 2005, vemos um filme feito em 1968, antes mesmo do homem chegar na Lua, baseado em um conto escrito em 1951, e parece que ainda ele está adiante de nós. Mesmo seu título, a chegada do milênio ainda é místico como o filme. Depois de tantas conquistas, tantos sonhos, guerras, ilusões, ainda olhamos no passado, vendo o que pode acontecer. Um achado de arqueologia? Não, apenas mais uma prova de amor ao cinema.


Escrito por Vebis Jr, Almir ou Lobo às 17h08 [] [envie esta mensagem]

Apresentando o amigo de minas e não me perguntem de onde ele vem!

Acho que sempre que escrever terei tendência a um flashback. Com certeza uma alternância aqui, apesar de meus amigos Vebis Jr. e Almir serem fãs absolutos de qualquer filme. Sou aquele que chamam de LOBO e não sou de forma alguma um velho vestido em meus 42 anos, mas sempre tive prazer em procurar a história do cinema, seus caminhos e mudanças. Assim apaixonei-me por inúmeros “clássicos” que povoam meus sonhos e pensamentos. Lembro dos momentos mais inocentes de minha vida, quando enxergava os filmes como um prolongamento da realidade. Era fácil crer em super-heróis, grandes espiões, amores impossíveis, guerreiros em mundos paralelos prontos a invadir meu mundo.

       

      

         Foto postada por Vebis ironizando seu amigo mineiro.

 

Muito disto ainda não passou e fico feliz por isto. Ainda vejo com prazer os efeitos especiais jurássicos de KING KONG, o clássico de 1933, com imenso deleite. Talvez isto seja o que ofusca qualquer preconceito de minha parte para qualquer obra cinematográfica e adore o cinemão tanto quanto a singeleza de um filme de pouco orçamento. Como qualquer pessoa sou castigado e submerso no marketing de filmes que buscam mais a evidência que a arte, mas também estou atento para aqueles que ficam escondidos em prateleiras de uma locadora ou demoram meses ou anos para chegarem aqui. Quantos, como eu, não chegarão um dia a seus filhos e irão lembrar de filmes que marcaram sua vida e contar às crianças como se fosse um conto de fadas ou uma canção de ninar? Por isso busco a magia do cinema, mais adiante que uma crítica técnica. Espero que não canse todos que lerem o que escrevo  prosa simples e ardorosa de alguém que ama uma arte que vai perdurar e acompanhar sua vida.

Abraços

LOBO


Escrito por Vebis Jr, Almir ou Lobo às 16h54 [] [envie esta mensagem]

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