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O que é isto?

mentiras e verdades em 24 fotogramas ou 29 frames por segundo!

Quando a dimensão aguia permanece galinha


O ator no seu "dia da brecha".



Tem horas que o universo Youtube não tem limites e nos pegamos frente ao micro procurando o que saber procurar nesta era das imagens. No livro "Sobre a televisão" de Pierre Bourdieu, observei a importância que se dá não apenas à velocidade da informação e já que vivemos na era da imagem, junto a rapidez da informação e imagem, justificando a existência e precisão de notícias da net proeminentes da tecnologia de fotos e conexões.


Ultimamente tenho me apaixonado pela atitude de chegar em casa, preparar alguma gororoba pra comer no sofá à noite quando chego do trabalho vendo os Box de Seinfeld. E claro que acabei me apegando no personagem Kramer interpretado por Michael Richards. Em bate papos com amigos, me disseram que este enfrentou penúrias depois de sua infeliz atitude de criticar as pessoas que incomodavam seu stand-up show com racismos. Como estou acompanhando com mais fervura agora, acabei por ver exatamente os dois pontos da história: a gravação da manifestação racista de Richards e suas desculpas pronunciadas no programa de David Letterman.




Jerry, em nome da desefa do amigo.



Foi triste, pois realmente me apeguei ao personagem e vê-lo perder a cabeça e apelar, nota-se uma espécie de decadência pós-Seinfeld e quem sabe aquilo estivesse pesando a ele. Triste vê-lo também em seu pronunciamento. Mas o ponto principal deste texto, é justamente confirmar que, até em situações pequenas, o racismo norte-americano é tão intenso, que não é à toa que surgem filmes deprimentes como "Crash - No limite", pois está tão inserido no povo o sentimento de recriminação, que os "filmes quase novela" fazem seu filão no mercado.


Para sacar tais detalhes, acompanhei meus downloads dos vídeos de brecha e pedido de desculpas do meu admirado ator e os comentários que acompanham o vídeo geralmente estão recheados de debates reacionários contra o ator de maneira retaliadora. Ao vídeo do fato ocorrido tem praticamente no mínimo 5 páginas de Klu-Klux-Klan inverso desejando a morte do ator. E nos vídeos em que o ator pede desculpas, há comentários destes "coitadinhos perseguidos dizendo que a imprensa branca mandou o cara pedir desculpas, o que me deixa uma sombra de dúvida de que realmente os coments contra suas desculpas soa como um: "Não se desculpe, eu gosto de que você fale mal da minha raça pra eu continuar a matracar sem parar", a velha síndrome de perseguição.





O resultado disso vem na forma do filme Borat, que coincidentemente dirigido por Larry Charles, cerne das cabeças pensadoras de Seinfeld junto ao Larry David, utilizou de linguagem ferina para demonstrar numa comédia limite o quanto o povo americano é idiota. Com o tempo, parece que até mesmo a juventude se estagnou. Nos textos sobre 40 anos de Rolling Stone, presentes neste mês na revista, temos gente gabaritada como Paul Mccartney, Michael Moore, Patti Smith, Martin Scorsese, Neil Young e Bob Dylan. Justamente na do Moore, Young e da Smith, eles salientam que a juventude vê o presidente com as perninhas esticadas e a juventude anestediada. Ligam o fato de que os jovens do pós-guerra que precisavam desta causa. Só que muita coisa mudou. No filme "Soldado anônimo" de Sam Mendes, tem uma questão interessante de analisar que até mesmo a guerra ficou fria (perdoe meu trocadilho) mas quando os soldados chegam, as armas de destruiição em massa já passaram por lá. Esta frieza da guerra, tira o peso da situação sufocado pela "era da imagem" que mantém o jovem longe do aprendizado da rua, mas em casa conectado e vendo vídeos pesados que minimalizam o peso de uma guerra recente que seria a ocupação do Oriente.



um dos trechos do filme que invade a aceitação do diferente e que igualmente é rejeitado



O americano não é o único que ficou estagnado, sinto dizer que percebo isso em quase todo mundo que me soa até fácil dizer que seria um dos resultados de globalização que atinge aos jovens que se acomodam e permanece em estadio letárgico. Necessita-se sempre de filmes-limite que agride o espectador para que repense fatos, tal qual faziam os diretores marginais, ou pós-novos numa época que se sentia o ideal à frente para se defender como uma camisa de seleção.


Termino este texto dizendo que falar mal de americano é assunto batido, porém, não posso deixar de assumir extrema sensibilidade ao ver um dos meus atores favoritos fora de controle.


E que Kramer mesmo depois desta, continue abrindo as portas aos sopetões.



Escrito por el cabrón de la pelicula às 17h38 [] [envie esta mensagem]

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