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mentiras e verdades em 24 fotogramas ou 29 frames por segundo!

Do Crível no não crível!

Não resisti e acabei vendo o filme de José Padilha que tem caído na boca do povo, Tropa de Elite e isso me levanta uma questão norteadora: o cinema que causa impressão de crédito vem geralmente de documentaristas que fazem ficção. Os exemplos que vou citar estão com abismos de distância entre sí, mas carregam a mesma coincidência (ou não) da estética dos filmes: José Padilha, Irvin Keshner e John Cassavetes.

 

José Padilha faz a adaptação do livro "Elite da Tropa" escrito por Andre Batista, Rodrigo Pimentel e Luis Eduardo Soares coloca nos textos do filme, um diálogo coeso firme e digno de que chamamos de crível. Na diegese ficcional, muito se puxou sardinha para uma dramaturgia quase televisiva, onde uma novela tem que ter o poder de fácil entendimento para uma dona de casa que esteja na cozinha preparando a janta, logo, como o cinema feito em larga escala no Brasil, tem tido vícios televisivos, resultam em frases excelentes como as que Leona Cavali diz em Olga de Jayme Monjardim: "Olga, você não pode ir para Alemanha de Hitler", totalmente desrespeituoso com o público na fragilidade de se auto-explicar.

 

 

Pfarrer Eckart Bruchner e José Padilha em Monique

 

Muitos amigos que seriam inseridos no público de massa ressaltaram o porque de Tropa de Elite ser tão gostoso de se ver, mesmo que com toda violência, o fator seria que o filme é crível. Diseram até que parece documentário, mas insisti: é uma ficção. O diretor escolheu muito bem a idéia de que o filme tivesse a maior semelhança co a realidade, embora tenha trazido do cinema norte-americanos alguns pesos dramáticos de fraco efeito, como os surtos do personagem Nascimento interpretado por Wagner Moura.

Nota-se no corte do filme vendido pelos camelôs alguns problemas de ritmo, bem como o áudio e créditos que mostram prioridade de buscar parcerias fora do país (pelo fato de estar tudo em Inglês) e penso até que o filme ter vazado seja uma maneira de conhecerem a versão do diretor, pois tem muita coisa ali que dificilmente chegaria num corte final para cinema.

 

O segundo exemplo vem de Irvin Kershner que realizando "O Império contra-ataca" trouxe à saga uma gama maior de fãs, onde este leve o selo de filme favorito dos fãs, que o dissecam como uma tragédia grega. Todos diálogos deste filme, tem uma carga maior na tensão e deixa a dramaticidade longe, onde o filme fica menos frágil ao olhar de bons entendedores.

 

 

Kershner com om proto de Yoda

 

Cassavetes também é exemplo, pois era um documentarista que foi realizar filmes de ficção no final da década de 50, criando alí o que chamamos de Espontaneous Movie, e isso é perceptível nos seus primeiros filmes: Shadows e Faces que fiz questão de homenagear no meu curta "Das Faces e Sombras".

Quem sabe o futuro do cinema que traz credibilidade não esteja na mão de documentaristas que arriscam ou simplesmente dirigem ficção.

 

 

Meu mentor, John Cassavetes

 

II

Nesta semana, revi alguns filmes e vi outros que valem comentar aqui apenas por simples sequências. A morte do chefão do crime Organizado do filme"O Rei de Nova Iorque" de Abel Ferrara tem um processo de criação incrível. Acho até que colocar o personagem de Tom Cruise morrer daquela maneira em "Colateral" tenha quem sabe uma referência ou homenagem de Michael Mann para o cinema de Abel Ferrara.

 

 

O chefe da parada em "O Rei de NY" faria Zé Pequeno se sentir Lixo.

 

"Testemha do Silêncio" de Hitchcock, tem uma história no mínimo instigante: Um assassino começa o filme confessando o crime ao Padre que infelismente é acusado e quase evidenciado como principal suspeito e proibido de falar devido aos seus votos e ao sacramento da confissão. Conforme disse meu amigo Pier, o Padre Logan (Montgomery Cliff) explode mas tenta segurar as pontas e a cada minuto do filme o cerco fecha. Toda rede de tensão é muito bem estruturada e sua narrativa é de uma simpicidade que me sugere prender um peão que roteiriza um "Olga" ou "Zuzu Angel" e fazê-lo ver como se deixa um filme fluído sem se auto-explicar.

 

 

Padre Logan (Montgomery Cliff) ouvindo o assassino.

 

Por último, vi pela primeira vez "A Bruma Assassina" de John Carpenter que faltava ver e me digam ao contrário se Carpenter não refaz a fórmula de "Halloween" e roda um filme com poucos recursos e com uma direção maestral. Há pelo menos duas seuências que voltei ao tempo e me senti preso à cadeira de tão bem conduzida e concebida nos planos. O resgate da criança na casa beira-mar com a névoa chegando, e a perseguição da locutora do rádio que foge nos tetos de xalé tem um requinte que me impulsionou a poder escrever algo no blog mesmo estando sem tempo. O elenco que seria quem sabe um belo chamariz, prova ser sólido. Mais uma vez o próprio diretor compõe a música e traz uma relação muito próxima de um envolvimento entigo de membros religiosos numa merda antiga, merda esta que vem bater à porta para cobrar, tal qual se fez em Vampiros e Fantasmas de Marte.

Filmes como estes eu não vejo há tempos. É Carpenter na sua melhor forma que pelo jeito não pára nem em filme menos queridos, mas brilhantes como "Memórias de um homem invisível".

 

Tripulação de "A Bruma Assassina".


 


Escrito por el cabrón de la pelicula às 19h54 [] [envie esta mensagem]

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