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breves palavras sobre Watchmen

As pessoas cobram demais de adaptação. Queriam que o HQ Watchmen tivesse o mesmo peso no mundo do cinema. Não tem e nem vai ter. Mudanças de mídias causam isso: muita expectativa. Quando se revelou que Zack Snyder seria o diretor, logo se imaginava que não deve-se esperar muito dele, por mais que seu remake de Madrugada dos Mortos tenha saído convincente.

 

Vamos ao filme. A adaptação, tendo um diretor desta calsse, era óbvio que iria captar mais uma fidelidade visual. Tanta fidelidade que em sua liberdade poética, deu muito ênfase nos atos de violência que não tem no Gibi. O filme aparece engessado na maioria do tempo tendo uma frieza que só quebra quando o diretor de vídeo clipe utiliza música. Ha inclusive um momento em que a ação decorre no corredor da prisão fazendo o acompanhamento lateral em travelling semelhante ao que ele já havia feito em seu filme anterior, 300. Quando entra a música na narrativa o diretor se solta, pois ali ele tem uma precisão incrível inclusive na montagem. Mas nem acredito que isso torne o filme perfumaria pura. Afinal, enquanto via o filme eu dizia: poxa, está conivente com os fatos, o HQ tem muita ponta solta que o filme não precisava retratar.

Num certo momento do filme, em seu segundo ato, a narrativa cai um pouco deixando o interesse baixo para os espectadores mais desatentos. O que segura muito é a narrativa a partir do ponto de vista de roscharch. Dr Manhattan quando se desenvolve no filme, segue a mesma linhas de suas feições. Há uma grande possibilidade de que o final irrite aos fãs fiéis. A mim, sem querer comparar com o universo de adaptações, traz um final muito conciliado. Existe um conflito no filme que permeia toda situação que seria a descrença no ser humano. E isso deixa de ser visto pelos olhos de Roscharch e vai para Dr. Manhattan. Como o final deixa de ter o impacto, um recurso muito rápido de remendo foi criado para o filme. Isso sem contar que para que o filme tenha seu conteúdo "atual", deixa transparecer o comando político de Nixon muito mais patético e panfletário.

 

Ha ainda uma situação totalmente cinematográfica no HQ que não foi aproveitada. Quando mãe e filha Spectras se encontram para revelação do Pai, a mãe quase dá com a lingua nos dentes pra revelar que Comediante era o pai, mas a filha pensa ser o outro mascarado. Sai uma pra cada lado e o ultimo quadrinho confirma o comediante com a marca de beijo no porta retratos. Desperdiçado esta sequência, fica claro a já famigerada ordem de evitar que os filmes terminem com um tom negativo. Ozimandias que no HQ é um ser atordoado pelas circunstâncias, tem no filme um ator que não segura o peso da figura, atua mal e nos dá impressão de que Joel Schumacher tenha cuidado da lapidação do caráter. Fazendo isso deste personagem, quase toda sequencia final se fragiliza!

Mas insisto em defender a obra. Perto do que ela poderia sair, deviamos dar graças a Deus que não saiu uma catástrofe, preferindo se aproximar de estéticas como do Batman do Nolan, deixando claro que heróis podem ser apreciados por pessoas mais velhas.

 


Escrito por el cabrón de la pelicula às 19h58 [] [envie esta mensagem]

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