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no vigésimo andar
Um rock que completa 53 anos
* Albert Pavão

Um dos temas de rock and roll mais cantado e gravado no mundo todo está fazendo 53 anos neste mês de julho de 2009. Trata-se de “Twenty flight rock”, que é um típico rockabilly que recebeu letra de Ned Fairchild (pseudônimo da cantora country Nelda Fairchild) e música do famoso Eddie Cochran, e que foi gravada por este em julho de 1956 pelo selo Liberty, e lançada no início de 1957 num compacto simples de 45 rotações, acoplada com “Cradle baby”.

Logo depois de gravada, essa música foi incluída no filme “Sabes o que quero” (The girl can´t help it), que foi o primeiro filme de rock and roll a cores, e que contou com as participações de Tom Ewell e Jayne Mansfield, alem de vários grandes nomes do rock de então, como Gene Vincent, Fats Domino, Little Richard e outros mais.

Esse filme foi exibido no Brasil no começo de 1957 e contou com a participação de Eddie Cochran cantando “Twenty flight rock”, lembrando bastante as performances de Elvis Presley. Aliás, na época foi comentado que Elvis havia sido convidado pelo produtor Frank Tashlin para cantar nesse filme, mas que seu empresário, Tom Parker declinou o convite.

Apesar de ter figurado num filme tão cultuado na época, essa composição de Cochran nunca atingiu os primeiros postos das paradas de sucesso, mas tornou-se um tema conhecido por todos, notadamente na Europa, um verdadeiro standard do rock and roll.

Como é do conhecimento da maioria dos beatlemaníacos, essa música foi o cartão de visita de Paul Mc Cartney, aos 15 anos de idade, quando veio a conhecer John Lennon, em julho de 1957, em Liverpool. Cantando “Twenty flight rock” para John, Paul causou boa impressão e foi imediatamente convidado a ingressar na banda Quarrymen, que através dos anos evoluiu até chegar a ser The Beatles.

Esse rock recebeu muitos covers ao longo do tempo, destacando-se os de Cliff Richard and The Shadows (1958 e 1959), Robert Gordon com Link Wray (1979), Rolling Stones (1982), Paul Mc Cartney (1987 e no show do “Cavern Club”), Vince Taylor (1988), Stray Cats (1993), The Tomcats, Little Willie and the Poorboys, Dick Rivers, Darrel Higham and the Jets (1998), The Quarrymen (nova formação) e muitos outros.

Em 1962, eu já cantava esse rock em inglês, com acompanhamento do conjunto The Hits e fazia bastante sucesso nas apresentações ao vivo. Foi quando resolvi fazer uma versão para nossa língua, que recebeu o nome de “Vigésimo andar”. No segundo semestre de 1963, ao gravar um compacto para a VS, escolhi essa música que recebeu arranjo do maestro Rogério Duprat.

O compacto de 33 rotações que continha “Vigésimo andar” acoplada com “Sobre um rio tão calmo” (Up a lazy river) foi lançado em outubro desse ano e logo em seguida começou a ser tocado com bastante freqüência nas principais emissoras de rádio de S.Paulo. No começo de 1964, até rivalizava em execuções com “Parei na contramão”, que foi o primeiro sucesso de Roberto Carlos na paulicéia. “Vigésimo andar” foi minha gravação mais conhecida, embora não tenha sido a mais vendida.

Curioso é que “Vigésimo andar”, a exemplo da gravação original, também gerou covers. Em 1987, Eddy Teddy resolveu incluí-la no LP do seu conjunto Coke Luxe. Oito anos depois, a banda carioca de rockabilly Big Trep resolveu gravá-la e, em 2005, registra-se essa música na interpretação dos gaúchos do Old Stuff Trio.

Não sei se existem mais gravações. Entretanto, numa rápida passada pelo You Tube, pude ver vários clipes de “Vigésimo andar” com bandas diferentes como Aeroputos, Los Costeletas Flamejantes (de Natal, RN), Psycho Carnival Rockabilly Jam, Mauk e os Carburadores e o próprio Old Stuff Trio (apresentação na TV Cachoeira do Sul), entre outros.

Deste modo, o original com 53 anos e a versão com sete anos a menos continuam lembradas pelo pessoal do rock, o que nos deixa bastante feliz.

* Albert Pavão é um dos pioneiros do rock brasileiro e autor do livro "Rock Brasileiro: 1955 - 1965".

 

 


Escrito por el cabrón de la pelicula às 00h47 [] [envie esta mensagem]

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